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| Capa do filme Begotten de 1991. |
Deparei-me com esta obra quando um amigo me mostrou o clipe de uma banda sueca chamada Silencer que continha imagens do filme e fiquei realmente surpreso, pois nunca tinha visto algo tão sofrido em toda a minha vida, mas inicialmente pensei que fora algo criado pela própria banda. Contudo, em uma conversa com um amigo da internet Arghus Belial, o mesmo me revelou que este clip continha imagens de um filme de terror conhecido como Begotten de Elias Merhige de 1991.
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| Uma das várias cenas de sofrimento de Begotten. | |
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| Silencer - Banda de Depressive Black Metal sueca que se inspirou em Begotten para fazer o clip da música Sterile Nails and Thunderbowels. |
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| Capa do mini cd do Katatonia - Sounds of Decay inspirado em Begotten. |
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| Albúm do Marilyn Manson - The Antichrist Superstar que possui a música Cryptorchild que foi dirigido por Elias Merhige e contém cenas de Begotten. |
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| Elias Merhige - Diretor de Begotten. |
“Begotten” não é um filme que possa ser classificado num gênero específico, é difícil pensar em que ponto ele se prende ou ele pode ser classificado. Mas, de qualquer forma, a primeira impressão que temos ao depararmos com as imagens desse filme, é a de que podemos classificá-lo como um terror profano, sem escrúpulos e um tanto quanto gratuito. Mas esse é o principal erro. Se há uma coisa que não devemos fazer é classificar “Begotten” como vulgar. “Begotten” é um filme no mínimo revolucionário e completamente artístico.
O filme é conseqüência dos trabalhos de um grupo denominado Threate of material, criado em 1985 pelo também criador, diretor e roteirista de “Begotten”, Edmund Elias Merhige. Inspirado pela arte expressionista e cultura tribal, o grupo não diretamente foi reconhecido e só foi mais tarde entrar para o ramo do cinema com este “Begotten”.
A imagem que se estabelece sobre algo por alguém é formada por opiniões alheias muitas vezes. Mas somente quando essa pessoa entra em contato com essa determinada obra é que ela realmente entende ou tira sua conclusão própria. Mas é muito comum que, quando as críticas alheias são pessimistas, essa pessoa já tem um olhar pessimista sobre o objeto e logo toma repulsa sem nem antes mesmo ter tirados suas próprias conclusões – e vice e versa. O que se forma diante deste filme é exatamente isso, pois é um filme feito, tanto filosoficamente para arte quanto para chocar e transmitir uma idéia. As críticas negativas simplesmente a julgam como lixo sendo que seu conteúdo poderia ser transmitido de uma forma mais formal. Mas, se fosse de tal forma transmitida, não geraria o impacto adequado para a proposta.
“Begotten” em si é uma obra revolucionária esteticamente e filosoficamente. Merhige usou de contrastes e mais contrastes para criar algo perfeito a seus olhos, que pudesse se sobrepor ao formato estético “padrão”. Sua intenção foi criar algo velho, porém novo ao cinema. Procurou não deixar o filme parecer um filme dos anos vinte ou dez, “mas sim como se fosse da época de Cristo, como se fosse um manuscrito do Mar Morto cinemático enterrado nas areias”. O processo de contraste das imagens levou de oito a dez horas para cada minuto da película.
O filme conta com seqüências deveras impressionantes e chocantes. A cena mais marcante e mais conhecida são os quinze minutos iniciais, horrendo e estranhamente calmo. Sem uma trilha sonora musical, a maior parte do início se desenrola com sons perturbadores. A carne sendo cortada, os gemidos de quem se corta e o exaustivo som do ponteiro de um enorme relógio preso na parede. Os gemidos são caracterizados por sons de um sofrimento contido, sem altos.
O parto acontece e o filho nasce inquieto, convulsionando. Não demora e um grupo misterioso de homens vestidos com mantos pesados e escuros aparece e estupra a mãe com uma espécie de aríete. Dela nascem rios e águas, enquanto seu filho é esmagado e plantado na terra. Os nomes não poderiam ser mais justificáveis ou simbólicos, relacionando-se perfeitamente com a trama simbólica: “Deus suicidando-se”, “Mãe Terra” e “Carne sobre Ossos”. Mesmo que o filme se limite pelos fatos contados por mim aqui, não se pode ignorar o fato de o filme ser muita estética e reflexão, ou seja, não adianta ler o filme sem vê-lo, a imagem aqui completa o sentido ideológico da história.
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| Quadro representando "Deus suicidando-se", uma das imagens mais pertubadoras de Begotten. |
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| "Mãe Terra", grávida do filho de "Deus" "Carne Sobre Ossos". |
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| "Carne Sobre Ossos" |
O filme é completamente descompromissado moralmente e comercialmente. Não foi feito para o público, o público foi feito para ele e isso não nos é jogado na cara. Não procura ser orgulhoso muito menos jogar ao mundo uma idéia, é o tipo de idéia que precisa ser alcançada e isso o filme faz filosoficamente, o que, não excluidamente, poderia gerar discussões sobre o tema, sobre a vida e sobre o, hoje em debate, renascimento.
Contudo, o filme foi feito com um orçamento familiar de 20.000 dólares, nenhum dos atores foi pago e a película é somente exibida em festivais. Seu conhecimento, expansão foi dada devido a alguns fatores, como o selo World Arts tê-lo lançado em DVD e um dos clipes do músico Marilyn Manson ser inspirado nesse – mais especificamente, o vídeo clipe “Antichrist Superstar”, que arrecadou prêmios em festivais de cinema.
Pura metafísica, “Begotten” é o tipo de filme que não precisa ser assistido, mas também é uma experiência única, transcendental do puro horror visual.
*Nota Complementar: O Teste de Rorschach é uma técnica de avaliação psicológica pictórica, comumente denominada de teste projetivo, ou mais recentemente de método de auto-expressão. Foi desenvolvido pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach. O teste consiste em dar respostas sobre com o que se parecem as dez pranchas com manchas de tinta simétricas. A partir das respostas, procura-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo. O teste de Rorschach é amplamente utilizado em vários países.
O Teste de Rorschach, de 1921 consiste em 10 lâminas com borrões de tinta que obedecem a características específicas quanto à proporção, angularidade, luminosidade, equilíbrio espacial, cores e pregnância formal.
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| O inventor do Teste de Rorschach - O psiquiatra suiço Hermann Rorschach. |
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| Exemplos de Teste de Rorschach. |



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