A intenção da criação deste blog se fez perante a necessidade de uma discussão séria sobre um dos gêneros mais polêmicos de todos os tempos dentro do metal, o black metal.
Este estilo tem particularidades ideológicas, filosóficas e musicais, que o distinguem de outras vertentes do metal.
Além disso, será debatido os vários subgêneros dentro do Black Metal para buscar compreender o porque destes diferentes rótulos, tais como pagan, atmosferic, NSBM, entre outros.
Por fim, serão postados entrevistas, álbuns e vídeos de bandas relacionadas ao estilo, assim como texto de grandes pensadores que influenciaram o Black Metal como um todo.

domingo, 28 de julho de 2013

VULTURINE



O que dizer sobre a maldita horda de Black Metal de São Paulo Vulturine? Refiro-me a ela como maldita mesmo, pois este é um dos variados adjetivos que ela tem por mérito receber. Seu som nos proporciona o que há de mais puro em matéria de caos, algo pesado até mesmo para o Black Metal, sendo levado ao total extremismo do estilo. 




Insano, sujo, satânico, autodestrutivo, anti-humano e adverso a esta sociedade patética e decadente que vivemos.
   

Em momento algum exagero em minhas definições sobre a banda, o seu som e suas letras falam por si, como em "The Sings Engraved in the Harshclouds" onde se expressa: "Novamente os Abutres se alimentam das entranhas dos seus inimigos! E desgraça vem se tornando mais forte que os desgraçados sobre a Terra! Somente se o próprio Inferno Pátrio ranger seus portões sobre nós ouviremos algo mais desgraçado e amaldiçoador sobre nossas humanosas almas”.

Vulturine - Misantrópico Black Metal com uma Negra Aura Bestial O FIM DA FANTASIA.







Pode-se perceber que a intenção da banda não é apenas invocar o mais puro e profundo satanismo, ela quer somar a isso que estamos obrigados a ser desgraçados por nossa miserável existência, ela quer o satânico unido a todas as pragas que possam recair sobre o ser humano, sem complacência, perdão ou misericórdia. 

Espalhando a Demência Satânica.





Toda esta maldição teve início em São Paulo no ano de 2002 por Wlad D Hades (ex-Miasthenia, vocais e guitarras), que depois se uniu com mais duas amaldiçoadas almas: Daemon (baixo) e Khaos666 (bateria).

Integrantes da Banda Vulturine.

O holocausto estava lançado, a peste espalhada sobre a Terra, enfim, o inferno deixou de ser algo imaginário para se tornar parte de nossas vidas. A banda, em virtude de suas características é comparada ao Watain sueco, devido às estruturas das composições e toda a dimensão vocal tendo semelhanças que possam tornar esta comparação fácil, porém inválida.  



Watain Sueco - Banda que apresenta algumas características que possam ter influenciado a Vulturine.
M. Lordgard, proprietário do Blog Black Southern Winds, faz uma majéstica descrição do que a banda Vulturine representa, ele diz: “No entanto, para compreender todo o poderio de dimensões sonoras que a Vulturine cria, é sim necessário ser no mínimo iniciado nos mistérios da "Queda de Lúcifer", para se ter um mínimo de noção sobre até que ponto o Black Metal nacional chegou. Digo: Há muito chegou ao ponto de superar suas próprias origens. Tem-se aqui uma vontade de ouvir o velho Sarcófago rangendo novamente, abrindo as tampas de Rotting; Nightmare e Desecration of Virgin Mary. 

Sarcófago - Um dos maiores nomes (ou talvez o maior) dentro do Black Metal Brasileiro e que pode ter sido uma das inspirações para a Vulturine.


Possivelmente devido à vocalização áspera, preenchida de semi-graves sangrados e uma maestria interpretativa nos remete a um passado, que conseguia mesclar sutilmente a Morte em forma de ressonância, sem deixar só por um instante o reino malévolo da blasfêmia. Mas esse é um passado que temos que admitir que os novos valores e as novas necessidades vem tornando Necessariamente Superadas na trajetória do Black Metal Nacional”! E completa: “Uma verdadeira arma satânica. Composições cujo sentimento é de um diabolismo supra-real, que evoca-nos ao decrépito de nossos espasmos espirituais e nos faz perceber que é realmente superior da parte do ser satânico amaldiçoar-se também a si mesmo e, não mais desejar um inferno na Terra; mas sim, que a Terra toda se despedace nas Trevas! E por fim; Que até nós mesmos sejamos levados pelas asas do Maldito Abutre”.

Trevas é um presente para este Mundo.




Vamos agora à biografia da banda retirada de seu site oficial e leve como conselho: “Nada Humano Sobrará”... 

Humanos.


Dez Anos de Pessimismo.

Vulrurine foi criado entre os malditos anos de 2001 e 2002 pelo guitarrista/vocalista W.D.H. (Wlad D Hades), a fim de trazer uma verdadeira atmosfera áspera e pessimista para o Black Metal. Algumas faixas foram escritas por W.D.H. que gravou todos os instrumentos sozinho usando uma bateria eletrônica. W. percebeu que algo grande estava prestes a ser desencadeado. Nesse ponto muitas bandas entraram em um colorido e aleijado Black Metal e Vulturine seguiu na direção oposta, Vulturine foi criado para resgatar as velhas formas e imagens do abutre que logo se tornou a marca da banda... Pútrida, desolada e pessimista; música criada para mentes perturbadas.

Wlad D. Hades

Em 2004 a primeira demo foi gravada “Cathartes Aura” (O Abutre que Caça suas Presas). Nesse ponto, o resultado foi muito satisfatório e esta fita foi lançada pela GOAT MUSIC RECORDS, tendo uma resposta “positiva” dentro da cena alternativa do Black Metal local e estrangeira. Após esta fita demo, Daemon Est Deus Inversus se juntou ao Vulturine como baixista e o Vulturine se tornou uma banda de verdade ao invés de um projeto “One Man Band” (banda de um integrante só).

Daemon Est Deus


Capa da Demo Cathartes Aura (O Abutre que Caça suas Presas).
 


Em 2006 Vulturine entrou no estúdio para gravar “The Signs Engraved in the Harsh Clouds” (Os Sinais Gravados em Nuvens Ásperas), desta vez obtendo um som cru e cruel, produzindo toda uma aura para o som. Foi gravado totalmente ao vivo.


Capa da Demo The Signs Engraved in the Harsh Clouds (Os Sinais Gravados em Nuvens Ásperas).


Nesse ponto, tanto Daemon quanto W. tornaram-se mais e mais determinados a transformar a Vulturine em uma banda distante da chamada “cena” e a dupla voltou para as criptas e começou a trabalhar no primeiro 7EP “O Caminho da Mão Esquerda” que foi lançado em 2007 pela GOAT MUSIC RECORDS E GENOCIDE PRODUCTIONS, limitado em 500 cópias. Este EP foi a síntese dos primeiros trabalhos, mas empurrando os criminosos para um estado ainda mais pessimista e frio. Três músicas com vociferações sombrias, fortes linhas de baixo e de Black Metal tradicional, sem cores. Este 7EP agora é vendido no exterior e também foi lançado em formato de fita pela RAZORBLEED PRODUCTIONS de Hellas. O baterista Necrofagus se juntou a banda nesta gravação.

Necrofagus

Capa do 7EP O Caminho da Mão Esquerda.

Em 2008 Vulturine lançou um veneno final contra a patética raça humana, batizado de: “Ossos... Ódio e Angústia”, o álbum consiste em 64 minutos de um ríspido e frio black Metal sem qualquer desejo de inovar neste profano estilo... Isso significa: sem cores, sem besteiras de fantasias, sem tretas ou conto de fadas, apenas o puro e pessimista Black Metal totalmente distante da forma retro brasileira e sul-americana.

Capa do CD Ossos...Ódio & Angústia.


O álbum foi produzido e gravado por Khaos 666 em seu próprio estúdio, sala 208, ele também foi baterista e esta gravação deu à banda um outro nível de habilidade na bateria. A gravadora GOAT MUSIC RECORDS realizou este primeiro ato da Vulturine.  Um 7EP seguindo este álbum foi lançado; foi um 7EP split com uma banda de Helênico Black Metal chamada Enshadowed. Desta vez a NECROMANCER RECORDS da Alemanha que foi a responsável por este ato herege e a faixa escolhida para este lançamento foi “Satanic March of the New Worlds End” (Marcha Satânica para um Novo Fim dos Mundos).

Khaos 666



Capa do 7EP The Epitome of Neverending Evil (A Síntese do Mal que Nunca Termina), Split com Enshadowed.




Vulturine é influenciada pelas antigas e mais severas bandas de Black Metal e como seus membros estiveram envolvidos com elas desde a 2ª geração, tocando em bandas e gravando álbuns desde o início da década de 90.


10 Anos de Black Metal Contra Você.




O CD de estréia foi lançado pela GOAT MUSIC e mais tarde pelas forças russas satânicas da NOMOS DEI, que também lançou as demos anteriores em formato digipack, esta coleção foi chamada de We Worship Your Death (Nós Cultuamos a Sua Morte).

Folder de lançamento do Cd We Worship Your Death (Nós Cultuamos a Sua Morte). Sem comercialismos, sem cópias grátis, sem alegria, sem cores, não agradecemos por adicionar, sem perdão.



Em 2010, Vulturine lançou outra praga negativa analógica chamada “Um Cruel Destino Para Tudo que Respira” pela gravadora Portuguesa chamada CAVERNA ABISMAL. Esta fita mostrou um lado mais profundo e mórbido da Vulturine e foi o prelúdio para o segundo álbum, “A Mais Escura Noite” que foi lançado pela NOMOS DEI no mesmo ano em formato digipack monumental em formato de livro A5, uma obra de arte. Os sete hinos da morte de “A Mais escura Noite” foi o passo para as regiões mais profundas e negativas da consciência satânica. Mais uma vez, a banda esteve envolvida em todo o rebelde processo de produção artística. O álbum foi produzido pelo baterista Khaos 666 em seu estúdio e as apresentações gráficas por W. Daemon, que fez dois vídeos ocultos com imagens de gravações e momentos pessoais registrados no campo.

Capa da Demo Um Cruel Destino Para Tudo que Respira.
 
Edição de luxo do CD A Mais Escura Noite.



Em 2011 a GOAT MUSIC lançou uma fita split da Vulturine com uma das mais sombrias bandas de Black Metal do Brasil, chamada TRONO. Esta praga em forma de fita de áudio foi chamada de “Antigos Ritos da Neblina e da Lua Cheia”.

Capa da fita Split Vulturine e Trono: Antigos Ritos da Neblina e da Lua Cheia.


Em 2012, a combinação profana entre NYARLATHOTEP RECORDS e HAMMER OF DAMMATION possibilitou o lançamento de A Mais escura Noite em versão brasileira. Esta versão sul americana contém um layout (desenho) reorganizado e a música Sarcoramphus Papa como música bônus.

Folder de lançamento do CD A Mais Escura Noite versão nacional com os dizeres: "Sete negro monumentos, destacando a glória de nosso Lorde. Concedendo a todos os cordeiros terem suas cabeças cortadas na mais escura noite de Lúcifer! Uma letal e negativa descarga contra o templo de Geová.


Em 2013, ocorre mais uma vez a profana aliança entre a NYARLATHOTEP RECORDS e HAMMER OF DAMMATION, com isso é lançado mais uma praga da Vulturine sobre a humanidade, o EP “As a Razor Crushing Your Life” (Como uma Navalha Dilacerando sua Vida), sendo quase meia hora de um torturante e anti-vida Black Metal, mais uma maldição para a humanidade.

Folder de lançamento do CD As a Razor Crushing Your Life (Como uma navalha dilacerando sua vida). Descrição: Após A Mais Escura Noite, a praga Vulturine, retorna com um novo veneno para a humanidade. Um mini-álbum com 28 minutos(!) a maneira mais fria de espalhar o negativismo contra os filhos de Geová. seis venenosas fúrias bestiais nascidas durante a sessão de gravação de "A Mais Escura Noite". Um monumento de arrogância e loucura destrutiva... o som do genocídio!



O único e principal objetivo da Vulturine é tornar pior a vida no planeta, e seu único desejo é criar músicas de Black Metal pessimistas e degenerar o futuro e trazendo apenas o pior de tudo. Não haverá ilusões!!!

Purificado no Sangue do Anjo.


SEM RETORNO

Link para o Clip Goatskull Ritual: http://www.youtube.com/watch?v=FWu5DKQyvpE 

Link para o Clip Sarcoramphus Papa: http://www.youtube.com/watch?v=qKRInLukvlw


Informações retiradas do site oficial do Vulturine: http://www.vulturineplague.com/


Editado, postado e traduzido por Alver 1349.



















domingo, 2 de junho de 2013

BEGOTTEN

Capa do filme Begotten de 1991.

Ao se deparar com este texto, o leitor pode se questionar com a seguinte pergunta. Porque postar sobre um filme num blog de Black Metal? Pode parecer estranho, mas este filme tem algo em particular que está altamente ligado ao Black Metal, o sofrimento, total inspiração do estilo conhecido como Depressive Black Metal.

Deparei-me com esta obra quando um amigo me mostrou o clipe de uma banda sueca chamada Silencer que continha imagens do filme e fiquei realmente surpreso, pois nunca tinha visto algo tão sofrido em toda a minha vida, mas inicialmente pensei que fora algo criado pela própria banda. Contudo, em uma conversa com um amigo da internet Arghus Belial, o mesmo me revelou que este clip continha imagens de um filme de terror conhecido como Begotten de Elias Merhige de 1991.

A partir daí, minha primeira providência foi baixar e assistir o filme, mas como não tinha lido nada a respeito, não entendi quase nada do que o filme queria transmitir mas, independente de sua compreensão, existe algo que você percebe com clareza, o sofrimento, que é latente em todo o filme, de tanto sofrimento, você começa a se sentir incomodado ou até mesmo perturbado com ele; a dor, a angústia e a morte fluem por todo o filme. 

Uma das várias cenas de sofrimento de Begotten.










Sinceramente, apesar de uma grande inspiração para o Black Metal, em particular para o Depressive Black Metal, o filme em si é meio chato por não ter som, ser todo em preto e branco, e ficar com vários barulhos repetitivos que se alternam ocasionalmente por alguns sons de fundo, que aparecem em situações pontuais do filme. Isso faz provocar até um pouco de sono em quem está vendo. 

Silencer - Banda de Depressive Black Metal sueca que se inspirou em Begotten para fazer o clip da música Sterile Nails and Thunderbowels.



Mas uma coisa em minha pesquisa sobre o filme me fez interligá-lo ao Black Metal, foi um comentário de um seguidor da página do filme que dizia: “Este é um filme Black Metal”, e isso faz todo o sentido, por isso que este filme serviu de inspiração para várias bandas, dentro ou fora do estilo do Black Metal, como Silencer (clip da música Sterile Nails and Thunderbowels), Katatonia (capa do ep Sounds of Decay) e até mesmo para um clip do Marylin Manson. Mas como não sou crítico e interpretador especializado de filme, busquei informações de quem entende realmente do assunto, então vamos a uma definição mais elaborada do filme. 


Capa do mini cd do Katatonia - Sounds of Decay inspirado em Begotten.


Albúm do Marilyn Manson - The Antichrist Superstar que possui a música Cryptorchild que foi dirigido por Elias Merhige e contém cenas de Begotten.
Begotten é um filme experimental/Filme de terror de 1991, escrito e dirigido por E. Elias Merhige.

O filme lida fortemente com religião e com a história bíblica do Gênesis e da Criação.

Mas como Merhige revelou durante sessões de Perguntas e Respostas, a sua principal inspiração foi uma experiência de quase morte que ele vivenciou quando tinha 19 anos, após um acidente de carro. Não há diálogos no filme, mas em seu lugar usa indiscriminadamente fortes imagens de dor e sofrimento humano para contar seu mito.

Foi filmado em preto e branco, e então cada quadro foi refotografado para tomar sua aparência final. Não há meio tons. Isto foi feito para dar a atmosfera sobrenatural do filme, e algumas vezes o espectador não consegue interpretar exatamente o que está sendo mostrado, mas pode inferir um sentido de sofrimento. O visual do filme é descrito no trailer como "um teste de Rorschach* para os olhos". Merhige disse que para cada minuto do filme original, tomou-se 10 horas para refotografar até atingir o visual desejado.

Merhige também já revelou, em sessões de Perguntas e Respostas, que ele gostaria que este filme fosse o primeiro de uma trilogia. Ele está tendo dificuldades para obter o apoio financeiro apropriado, e atualmente não é sabido se os outros dois filmes serão feitos (até hoje foi lançado apenas mais um filme chamado Din of Celestial Birds de 2006, um curta de apenas 14 minutos).


Elias Merhige - Diretor de Begotten.
“Abaixo das imagens descartáveis da vida cotidiana, banal, há apenas o tribal, o indelével e o atemporal. Estas imagens são criadas. A existência é cíclica. Nascimento cria vida, vida cria morte, morte cria renascimento”.

“Begotten” não é um filme que possa ser classificado num gênero específico, é difícil pensar em que ponto ele se prende ou ele pode ser classificado. Mas, de qualquer forma, a primeira impressão que temos ao depararmos com as imagens desse filme, é a de que podemos classificá-lo como um terror profano, sem escrúpulos e um tanto quanto gratuito. Mas esse é o principal erro. Se há uma coisa que não devemos fazer é classificar “Begotten” como vulgar. “Begotten” é um filme no mínimo revolucionário e completamente artístico.

O filme é conseqüência dos trabalhos de um grupo denominado Threate of material, criado em 1985 pelo também criador, diretor e roteirista de “Begotten”, Edmund Elias Merhige. Inspirado pela arte expressionista e cultura tribal, o grupo não diretamente foi reconhecido e só foi mais tarde entrar para o ramo do cinema com este “Begotten”.

“Begotten” pode parecer um transbordamento de idéias mal expressadas em imagem ou grotescamente expressadas, mas, se formos parar para pensar, a arte se expressa de diversas formas e, claro, nem sempre é bela ou “ética”, sempre é interpretada de diferentes maneiras e quase sempre são levadas mais em conta os insultos, ainda mais quando a estética de uma obra causa uma repulsa em primeiro plano.

A imagem que se estabelece sobre algo por alguém é formada por opiniões alheias muitas vezes. Mas somente quando essa pessoa entra em contato com essa determinada obra é que ela realmente entende ou tira sua conclusão própria. Mas é muito comum que, quando as críticas alheias são pessimistas, essa pessoa já tem um olhar pessimista sobre o objeto e logo toma repulsa sem nem antes mesmo ter tirados suas próprias conclusões – e vice e versa. O que se forma diante deste filme é exatamente isso, pois é um filme feito, tanto filosoficamente para arte quanto para chocar e transmitir uma idéia. As críticas negativas simplesmente a julgam como lixo sendo que seu conteúdo poderia ser transmitido de uma forma mais formal. Mas, se fosse de tal forma transmitida, não geraria o impacto adequado para a proposta.

“Begotten” em si é uma obra revolucionária esteticamente e filosoficamente. Merhige usou de contrastes e mais contrastes para criar algo perfeito a seus olhos, que pudesse se sobrepor ao formato estético “padrão”. Sua intenção foi criar algo velho, porém novo ao cinema. Procurou não deixar o filme parecer um filme dos anos vinte ou dez, “mas sim como se fosse da época de Cristo, como se fosse um manuscrito do Mar Morto cinemático enterrado nas areias”. O processo de contraste das imagens levou de oito a dez horas para cada minuto da película.

O filme conta com seqüências deveras impressionantes e chocantes. A cena mais marcante e mais conhecida são os quinze minutos iniciais, horrendo e estranhamente calmo. Sem uma trilha sonora musical, a maior parte do início se desenrola com sons perturbadores. A carne sendo cortada, os gemidos de quem se corta e o exaustivo som do ponteiro de um enorme relógio preso na parede. Os gemidos são caracterizados por sons de um sofrimento contido, sem altos.


O filme começa numa casa abandonada em um lugar distante onde um homem mascarado segura uma navalha e vomita sangue. É bastante chocante e impressionante, pois tudo ocorre tão naturalmente que sua naturalidade choca. Esse homem de aparência indescritível – o efeito de contraste ajuda a realçar o medo e dor nos olhares e gera pânico – esvicera-se com movimentos sistemáticos e contínuos, com uma velocidade torturante. Nisso, escorre por suas pernas uma massa estranha, que lembra terra. Agora morto, surge uma mulher. Ela masturba o cadáver até a ejaculação, tomando o sêmem com as mãos e levando-o à vulva, engravidando então. Tudo se segue em um ritmo lento e natural.

O parto acontece e o filho nasce inquieto, convulsionando. Não demora e um grupo misterioso de homens vestidos com mantos pesados e escuros aparece e estupra a mãe com uma espécie de aríete. Dela nascem rios e águas, enquanto seu filho é esmagado e plantado na terra. Os nomes não poderiam ser mais justificáveis ou simbólicos, relacionando-se perfeitamente com a trama simbólica: “Deus suicidando-se”, “Mãe Terra” e “Carne sobre Ossos”. Mesmo que o filme se limite pelos fatos contados por mim aqui, não se pode ignorar o fato de o filme ser muita estética e reflexão, ou seja, não adianta ler o filme sem vê-lo, a imagem aqui completa o sentido ideológico da história.

Quadro representando "Deus suicidando-se", uma das imagens mais pertubadoras de Begotten.



"Mãe Terra", grávida do filho de "Deus" "Carne Sobre Ossos".

"Carne Sobre Ossos"
Sentir o filme é quase insuportável. Então o que fica é entendê-lo, mesmo que seja quase inevitável estar presente e senti-lo. Compreendê-lo é a melhor maneira de extrair do filme seus significados.

O filme é completamente descompromissado moralmente e comercialmente. Não foi feito para o público, o público foi feito para ele e isso não nos é jogado na cara. Não procura ser orgulhoso muito menos jogar ao mundo uma idéia, é o tipo de idéia que precisa ser alcançada e isso o filme faz filosoficamente, o que, não excluidamente, poderia gerar discussões sobre o tema, sobre a vida e sobre o, hoje em debate, renascimento.

Contudo, o filme foi feito com um orçamento familiar de 20.000 dólares, nenhum dos atores foi pago e a película é somente exibida em festivais. Seu conhecimento, expansão foi dada devido a alguns fatores, como o selo World Arts tê-lo lançado em DVD e um dos clipes do músico Marilyn Manson ser inspirado nesse – mais especificamente, o vídeo clipe “Antichrist Superstar”, que arrecadou prêmios em festivais de cinema.

Pura metafísica, “Begotten” é o tipo de filme que não precisa ser assistido, mas também é uma experiência única, transcendental do puro horror visual.



*Nota Complementar: O Teste de Rorschach é uma técnica de avaliação psicológica pictórica, comumente denominada de teste projetivo, ou mais recentemente de método de auto-expressão. Foi desenvolvido pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach. O teste consiste em dar respostas sobre com o que se parecem as dez pranchas com manchas de tinta simétricas. A partir das respostas, procura-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo. O teste de Rorschach é amplamente utilizado em vários países.


O Teste de Rorschach, de 1921 consiste em 10 lâminas com borrões de tinta que obedecem a características específicas quanto à proporção, angularidade, luminosidade, equilíbrio espacial, cores e pregnância formal.




Estas características facilitam a rápida associação, intencional ou involuntária, com imagens mentais que, por sua vez, fazem parte de um complexo de representações que envolvem idéias ou afetos, mobilizando a memória de trabalho.



A aplicação do Teste de Rorschach é feito individualmente, não havendo aplicação em grupo. Na aplicação, as lâminas são apresentadas uma de cada vez, sendo solicitado ao examinando que diga com o que acredita serem parecidos os borrões de tinta. Diante deste convite à contemplação e associação aos borrões impressos nas pranchas, hipóteses de respostas são ativadas, colocando à prova as funções psíquicas de percepção, atenção, julgamento crítico, simbolização e linguagem. Concomitantemente à execução destas funções psíquicas na avaliação das hipóteses frente às manchas, os processos psíquicos afetivo-emocionais, motores-conativos e os cognitivos concorrem para a formulação final da resposta. As respostas ao Rorschach, portanto, revelam o status da representação da realidade em cada indivíduo, trazendo dados a respeito do desenvolvimento psíquico, das funções e sistemas cerebrais, dos recursos intelectuais envolvidos na construção das diferentes imagens, das articulações intrapsíquicas e da natureza das relações interpessoais.
           
Como o Teste de Rorschach avalia a dinâmica de personalidade particular a cada pessoa, não se deseja, a partir de seus dados, atribuir um diagnóstico psiquiátrico. Pretende-se, no entanto, contextualizar os distúrbios psíquicos, compreender o valor e o significado de um sintoma clínico e orientar para o tratamento mais adequado.

O inventor do Teste de Rorschach - O psiquiatra suiço Hermann Rorschach.

Exemplos de Teste de Rorschach.


Link para o clip da banda Silencer:  http://www.youtube.com/watch?v=z7BQYv5zoEk








Informações extraídas da Wikipédia, site Cine Players e do site Rorschach Teste On Line.

Texto editado, arranjado e transcrito por Alver 1349.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

BIOGRAFIA SUMMONING

Summoning Logo

INTRODUÇÃO



O que pode ser dito da excelente banda de Atmosférico Épico Black Metal Summoning? fica até difícil responder, a banda simplesmente carrega o ouvinte a um outro plano, algo mágico, transcendente, inexplicável, refletido no que o estilo lhe informa: "Épico"; sem sombra de dúvidas é uma banda muito singular no que faz e acredito que é uma banda que merece uma atenção toda especial, simplesmente pelo fato de ser um clássico, e por quê é um clássico? Em primeiro lugar porque se baseia em um modelo literário consagrado: a obra de Tolkien de "Senhor dos Anéis" que é um dos maiores exemplos da literatura de fantasia de toda a História e que se mantém viva ao longo dos tempos, sendo vigorada e preservada por várias gerações se transformando num modelo de inspiração para trabalhos de arte, música, cinema, televisão, e até mesmo videogames, além de uma literatura paralela.

Em segundo lugar, se deve a atmosfera criada em suas canções, algo nunca antes visto no Black Metal, usando apenas guitarras, baixo e sintetizadores criando um clima soberbo, ousado e extraordinário.

Em terceiro lugar, foi o reconhecimento do Summoning relacionado a obra de Tolkien, pois segundo informações retiradas do próprio site da Wikipédia afirmam que: "Mais tarde, nos anos 1980 e 90, bandas de metal encontraram lugar para Tolkien em suas músicas, muitas vezes usando a parte má da obra dele, os personagens hostis e ruins. Summoning fora a pioneira dentre as mais marcantes bandas de Black Metal/Melódico pois além de ser completamente fiel aos padrões criados pela Mitologia Fantástica de Tolkien, foi uma das bandas mais inovadoras no sentido sonoro e ambiental. Passando o climax desde as terras imortais seguindo à Beleriand, Numenor, e em fim a Terra-Média". É preciso dizer algo mais? acredito que não, então vamos a sua fascinante história...




Silenius e Protector: as mentes criativas por trás do Summoning 


sexta-feira, 26 de abril de 2013

A Parábola do Eremita - Cantas ad Mortuos



De Fortaleza, Ceará. Um belíssimo trabalho de Black Doom Metal com grande influência de Katatonia  e cantado em português...A Parábola do Eremita. Material em fita k7 com letras curtas mas de profunda reflexão, profunda como a atmosfera das suas canções, profunda como as águas do oceno.

Um salve a todo andarilho que mergulha em sua dor e vaga pelas dimensões de sua alma destruindo conceitos criados por outros que são como praga para sua existência. Um salve a todos os que conseguem levar as cinzas para a montanha e dela ascender como Fenix.

''Que as almas e os ventos derramem o odor de minha alma por toda a terra
 O deus dos homens agora cai como o Sol a mim se dobra e a curva da montanha, à sombra da
Floresta levanta-se a eternidade
E neste momento sob o lacrimejar dos anjos
Levanto-me das trevas e sou Deus.''

A banda esta com suas atividades paradas desde o lançamento de sua segunda demo "O Retorno" de 2006.

Se você busca uma banda de Black Doom Metal com um sentimento inspirado na melhor fase do Katatonia em Dance of December Souls você esta indo pelo caminho certo.

Line up:

Fabio Bass
Wiliano Daymon Drums (baterista também da horda conterrânea Hecate)
Rodrigo Valentin Guitars, Vocals
Daniel Vezerra Guitars, Vocals   

Para ouvir as músicas da banda acesse:  http://www.myspace.com/cantasadmortuos

 Obs: Este foi o último post de Deserto de Azazel antes de sair do blog, então resolvi apenas terminá-lo para postá-lo, seu conteúdo aqui não foi modificado, editado ou reduzido, apenas adicionado mais informações além de sua forma original para ficar mais completo, valeu Diego, obrigado por tudo e por toda sua ajuda e seu legado para este blog jamais será esquecido.

O RETORNO


Saudações guerreiros, antes de mais nada gostaria de agradecer a todos aqueles que nos apoiaram durante estes anos de existência do blog, a todos que apreciaram e de alguma forma contribuiram para a realização deste. Em especial gostaria de agradecer a Vectani Pignone pelo excelente post sobre a Les Legion Noire e é claro gostaria de agradecer a Diego Soares, conhecido como Deserto de Azazel, o criador e fundador do blog, que há pouco tempo saiu do blog por questões pessoais.

Reconheço que o blog está há muito tempo parado, e com a saída de seu criador, pensei até mesmo em por um fim no mesmo, mas ae vi que não podia acabar com esta idéia que teve um certo reconhecimento pelos antigos cultuadores da arte do Black Metal. Mas a intenção maior deste blog é trazer informações que muitas vezes estão poucos disponíveis a maioria das pessoas, pois estas informações em sua quase totalidade estão em inglês e este idioma, na maioria dos casos, é pouco acessível para a maioria das pessoas (por falta de interesse no mesmo ou pela dificuldade para a tradução do idioma).

A demora nestas postagens se dá por causa de minha falta de tempo (trabalho, família, entre outros...), e para cada postagem, analiso minuciosamente cada texto e o leio pelo menos umas 5 vezes antes de postá-lo; o trabalho de tradução é árduo, penoso e difícil, pois procuro sempre a melhor interpretação dos textos para proporcionar ao leitor uma leitura mais agradável e dinâmica.

Tentarei ter uma maior regularidade nas postagens e arriscarei (mas não prometo) pelo menos uma postagem por mês, para trazer mais informação aos verdadeiros apreciadores do estilo.
Bem, sem mais delongas, fico feliz em ter retornado e espero que apreciem os próximos posts daqui para frente e Força e Honra sempre verdadeiros guerreiros!!!