A intenção da criação deste blog se fez perante a necessidade de uma discussão séria sobre um dos gêneros mais polêmicos de todos os tempos dentro do metal, o black metal.
Este estilo tem particularidades ideológicas, filosóficas e musicais, que o distinguem de outras vertentes do metal.
Além disso, será debatido os vários subgêneros dentro do Black Metal para buscar compreender o porque destes diferentes rótulos, tais como pagan, atmosferic, NSBM, entre outros.
Por fim, serão postados entrevistas, álbuns e vídeos de bandas relacionadas ao estilo, assim como texto de grandes pensadores que influenciaram o Black Metal como um todo.

domingo, 2 de junho de 2013

BEGOTTEN

Capa do filme Begotten de 1991.

Ao se deparar com este texto, o leitor pode se questionar com a seguinte pergunta. Porque postar sobre um filme num blog de Black Metal? Pode parecer estranho, mas este filme tem algo em particular que está altamente ligado ao Black Metal, o sofrimento, total inspiração do estilo conhecido como Depressive Black Metal.

Deparei-me com esta obra quando um amigo me mostrou o clipe de uma banda sueca chamada Silencer que continha imagens do filme e fiquei realmente surpreso, pois nunca tinha visto algo tão sofrido em toda a minha vida, mas inicialmente pensei que fora algo criado pela própria banda. Contudo, em uma conversa com um amigo da internet Arghus Belial, o mesmo me revelou que este clip continha imagens de um filme de terror conhecido como Begotten de Elias Merhige de 1991.

A partir daí, minha primeira providência foi baixar e assistir o filme, mas como não tinha lido nada a respeito, não entendi quase nada do que o filme queria transmitir mas, independente de sua compreensão, existe algo que você percebe com clareza, o sofrimento, que é latente em todo o filme, de tanto sofrimento, você começa a se sentir incomodado ou até mesmo perturbado com ele; a dor, a angústia e a morte fluem por todo o filme. 

Uma das várias cenas de sofrimento de Begotten.










Sinceramente, apesar de uma grande inspiração para o Black Metal, em particular para o Depressive Black Metal, o filme em si é meio chato por não ter som, ser todo em preto e branco, e ficar com vários barulhos repetitivos que se alternam ocasionalmente por alguns sons de fundo, que aparecem em situações pontuais do filme. Isso faz provocar até um pouco de sono em quem está vendo. 

Silencer - Banda de Depressive Black Metal sueca que se inspirou em Begotten para fazer o clip da música Sterile Nails and Thunderbowels.



Mas uma coisa em minha pesquisa sobre o filme me fez interligá-lo ao Black Metal, foi um comentário de um seguidor da página do filme que dizia: “Este é um filme Black Metal”, e isso faz todo o sentido, por isso que este filme serviu de inspiração para várias bandas, dentro ou fora do estilo do Black Metal, como Silencer (clip da música Sterile Nails and Thunderbowels), Katatonia (capa do ep Sounds of Decay) e até mesmo para um clip do Marylin Manson. Mas como não sou crítico e interpretador especializado de filme, busquei informações de quem entende realmente do assunto, então vamos a uma definição mais elaborada do filme. 


Capa do mini cd do Katatonia - Sounds of Decay inspirado em Begotten.


Albúm do Marilyn Manson - The Antichrist Superstar que possui a música Cryptorchild que foi dirigido por Elias Merhige e contém cenas de Begotten.
Begotten é um filme experimental/Filme de terror de 1991, escrito e dirigido por E. Elias Merhige.

O filme lida fortemente com religião e com a história bíblica do Gênesis e da Criação.

Mas como Merhige revelou durante sessões de Perguntas e Respostas, a sua principal inspiração foi uma experiência de quase morte que ele vivenciou quando tinha 19 anos, após um acidente de carro. Não há diálogos no filme, mas em seu lugar usa indiscriminadamente fortes imagens de dor e sofrimento humano para contar seu mito.

Foi filmado em preto e branco, e então cada quadro foi refotografado para tomar sua aparência final. Não há meio tons. Isto foi feito para dar a atmosfera sobrenatural do filme, e algumas vezes o espectador não consegue interpretar exatamente o que está sendo mostrado, mas pode inferir um sentido de sofrimento. O visual do filme é descrito no trailer como "um teste de Rorschach* para os olhos". Merhige disse que para cada minuto do filme original, tomou-se 10 horas para refotografar até atingir o visual desejado.

Merhige também já revelou, em sessões de Perguntas e Respostas, que ele gostaria que este filme fosse o primeiro de uma trilogia. Ele está tendo dificuldades para obter o apoio financeiro apropriado, e atualmente não é sabido se os outros dois filmes serão feitos (até hoje foi lançado apenas mais um filme chamado Din of Celestial Birds de 2006, um curta de apenas 14 minutos).


Elias Merhige - Diretor de Begotten.
“Abaixo das imagens descartáveis da vida cotidiana, banal, há apenas o tribal, o indelével e o atemporal. Estas imagens são criadas. A existência é cíclica. Nascimento cria vida, vida cria morte, morte cria renascimento”.

“Begotten” não é um filme que possa ser classificado num gênero específico, é difícil pensar em que ponto ele se prende ou ele pode ser classificado. Mas, de qualquer forma, a primeira impressão que temos ao depararmos com as imagens desse filme, é a de que podemos classificá-lo como um terror profano, sem escrúpulos e um tanto quanto gratuito. Mas esse é o principal erro. Se há uma coisa que não devemos fazer é classificar “Begotten” como vulgar. “Begotten” é um filme no mínimo revolucionário e completamente artístico.

O filme é conseqüência dos trabalhos de um grupo denominado Threate of material, criado em 1985 pelo também criador, diretor e roteirista de “Begotten”, Edmund Elias Merhige. Inspirado pela arte expressionista e cultura tribal, o grupo não diretamente foi reconhecido e só foi mais tarde entrar para o ramo do cinema com este “Begotten”.

“Begotten” pode parecer um transbordamento de idéias mal expressadas em imagem ou grotescamente expressadas, mas, se formos parar para pensar, a arte se expressa de diversas formas e, claro, nem sempre é bela ou “ética”, sempre é interpretada de diferentes maneiras e quase sempre são levadas mais em conta os insultos, ainda mais quando a estética de uma obra causa uma repulsa em primeiro plano.

A imagem que se estabelece sobre algo por alguém é formada por opiniões alheias muitas vezes. Mas somente quando essa pessoa entra em contato com essa determinada obra é que ela realmente entende ou tira sua conclusão própria. Mas é muito comum que, quando as críticas alheias são pessimistas, essa pessoa já tem um olhar pessimista sobre o objeto e logo toma repulsa sem nem antes mesmo ter tirados suas próprias conclusões – e vice e versa. O que se forma diante deste filme é exatamente isso, pois é um filme feito, tanto filosoficamente para arte quanto para chocar e transmitir uma idéia. As críticas negativas simplesmente a julgam como lixo sendo que seu conteúdo poderia ser transmitido de uma forma mais formal. Mas, se fosse de tal forma transmitida, não geraria o impacto adequado para a proposta.

“Begotten” em si é uma obra revolucionária esteticamente e filosoficamente. Merhige usou de contrastes e mais contrastes para criar algo perfeito a seus olhos, que pudesse se sobrepor ao formato estético “padrão”. Sua intenção foi criar algo velho, porém novo ao cinema. Procurou não deixar o filme parecer um filme dos anos vinte ou dez, “mas sim como se fosse da época de Cristo, como se fosse um manuscrito do Mar Morto cinemático enterrado nas areias”. O processo de contraste das imagens levou de oito a dez horas para cada minuto da película.

O filme conta com seqüências deveras impressionantes e chocantes. A cena mais marcante e mais conhecida são os quinze minutos iniciais, horrendo e estranhamente calmo. Sem uma trilha sonora musical, a maior parte do início se desenrola com sons perturbadores. A carne sendo cortada, os gemidos de quem se corta e o exaustivo som do ponteiro de um enorme relógio preso na parede. Os gemidos são caracterizados por sons de um sofrimento contido, sem altos.


O filme começa numa casa abandonada em um lugar distante onde um homem mascarado segura uma navalha e vomita sangue. É bastante chocante e impressionante, pois tudo ocorre tão naturalmente que sua naturalidade choca. Esse homem de aparência indescritível – o efeito de contraste ajuda a realçar o medo e dor nos olhares e gera pânico – esvicera-se com movimentos sistemáticos e contínuos, com uma velocidade torturante. Nisso, escorre por suas pernas uma massa estranha, que lembra terra. Agora morto, surge uma mulher. Ela masturba o cadáver até a ejaculação, tomando o sêmem com as mãos e levando-o à vulva, engravidando então. Tudo se segue em um ritmo lento e natural.

O parto acontece e o filho nasce inquieto, convulsionando. Não demora e um grupo misterioso de homens vestidos com mantos pesados e escuros aparece e estupra a mãe com uma espécie de aríete. Dela nascem rios e águas, enquanto seu filho é esmagado e plantado na terra. Os nomes não poderiam ser mais justificáveis ou simbólicos, relacionando-se perfeitamente com a trama simbólica: “Deus suicidando-se”, “Mãe Terra” e “Carne sobre Ossos”. Mesmo que o filme se limite pelos fatos contados por mim aqui, não se pode ignorar o fato de o filme ser muita estética e reflexão, ou seja, não adianta ler o filme sem vê-lo, a imagem aqui completa o sentido ideológico da história.

Quadro representando "Deus suicidando-se", uma das imagens mais pertubadoras de Begotten.



"Mãe Terra", grávida do filho de "Deus" "Carne Sobre Ossos".

"Carne Sobre Ossos"
Sentir o filme é quase insuportável. Então o que fica é entendê-lo, mesmo que seja quase inevitável estar presente e senti-lo. Compreendê-lo é a melhor maneira de extrair do filme seus significados.

O filme é completamente descompromissado moralmente e comercialmente. Não foi feito para o público, o público foi feito para ele e isso não nos é jogado na cara. Não procura ser orgulhoso muito menos jogar ao mundo uma idéia, é o tipo de idéia que precisa ser alcançada e isso o filme faz filosoficamente, o que, não excluidamente, poderia gerar discussões sobre o tema, sobre a vida e sobre o, hoje em debate, renascimento.

Contudo, o filme foi feito com um orçamento familiar de 20.000 dólares, nenhum dos atores foi pago e a película é somente exibida em festivais. Seu conhecimento, expansão foi dada devido a alguns fatores, como o selo World Arts tê-lo lançado em DVD e um dos clipes do músico Marilyn Manson ser inspirado nesse – mais especificamente, o vídeo clipe “Antichrist Superstar”, que arrecadou prêmios em festivais de cinema.

Pura metafísica, “Begotten” é o tipo de filme que não precisa ser assistido, mas também é uma experiência única, transcendental do puro horror visual.



*Nota Complementar: O Teste de Rorschach é uma técnica de avaliação psicológica pictórica, comumente denominada de teste projetivo, ou mais recentemente de método de auto-expressão. Foi desenvolvido pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach. O teste consiste em dar respostas sobre com o que se parecem as dez pranchas com manchas de tinta simétricas. A partir das respostas, procura-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo. O teste de Rorschach é amplamente utilizado em vários países.


O Teste de Rorschach, de 1921 consiste em 10 lâminas com borrões de tinta que obedecem a características específicas quanto à proporção, angularidade, luminosidade, equilíbrio espacial, cores e pregnância formal.




Estas características facilitam a rápida associação, intencional ou involuntária, com imagens mentais que, por sua vez, fazem parte de um complexo de representações que envolvem idéias ou afetos, mobilizando a memória de trabalho.



A aplicação do Teste de Rorschach é feito individualmente, não havendo aplicação em grupo. Na aplicação, as lâminas são apresentadas uma de cada vez, sendo solicitado ao examinando que diga com o que acredita serem parecidos os borrões de tinta. Diante deste convite à contemplação e associação aos borrões impressos nas pranchas, hipóteses de respostas são ativadas, colocando à prova as funções psíquicas de percepção, atenção, julgamento crítico, simbolização e linguagem. Concomitantemente à execução destas funções psíquicas na avaliação das hipóteses frente às manchas, os processos psíquicos afetivo-emocionais, motores-conativos e os cognitivos concorrem para a formulação final da resposta. As respostas ao Rorschach, portanto, revelam o status da representação da realidade em cada indivíduo, trazendo dados a respeito do desenvolvimento psíquico, das funções e sistemas cerebrais, dos recursos intelectuais envolvidos na construção das diferentes imagens, das articulações intrapsíquicas e da natureza das relações interpessoais.
           
Como o Teste de Rorschach avalia a dinâmica de personalidade particular a cada pessoa, não se deseja, a partir de seus dados, atribuir um diagnóstico psiquiátrico. Pretende-se, no entanto, contextualizar os distúrbios psíquicos, compreender o valor e o significado de um sintoma clínico e orientar para o tratamento mais adequado.

O inventor do Teste de Rorschach - O psiquiatra suiço Hermann Rorschach.

Exemplos de Teste de Rorschach.


Link para o clip da banda Silencer:  http://www.youtube.com/watch?v=z7BQYv5zoEk








Informações extraídas da Wikipédia, site Cine Players e do site Rorschach Teste On Line.

Texto editado, arranjado e transcrito por Alver 1349.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

BIOGRAFIA SUMMONING

Summoning Logo

INTRODUÇÃO



O que pode ser dito da excelente banda de Atmosférico Épico Black Metal Summoning? fica até difícil responder, a banda simplesmente carrega o ouvinte a um outro plano, algo mágico, transcendente, inexplicável, refletido no que o estilo lhe informa: "Épico"; sem sombra de dúvidas é uma banda muito singular no que faz e acredito que é uma banda que merece uma atenção toda especial, simplesmente pelo fato de ser um clássico, e por quê é um clássico? Em primeiro lugar porque se baseia em um modelo literário consagrado: a obra de Tolkien de "Senhor dos Anéis" que é um dos maiores exemplos da literatura de fantasia de toda a História e que se mantém viva ao longo dos tempos, sendo vigorada e preservada por várias gerações se transformando num modelo de inspiração para trabalhos de arte, música, cinema, televisão, e até mesmo videogames, além de uma literatura paralela.

Em segundo lugar, se deve a atmosfera criada em suas canções, algo nunca antes visto no Black Metal, usando apenas guitarras, baixo e sintetizadores criando um clima soberbo, ousado e extraordinário.

Em terceiro lugar, foi o reconhecimento do Summoning relacionado a obra de Tolkien, pois segundo informações retiradas do próprio site da Wikipédia afirmam que: "Mais tarde, nos anos 1980 e 90, bandas de metal encontraram lugar para Tolkien em suas músicas, muitas vezes usando a parte má da obra dele, os personagens hostis e ruins. Summoning fora a pioneira dentre as mais marcantes bandas de Black Metal/Melódico pois além de ser completamente fiel aos padrões criados pela Mitologia Fantástica de Tolkien, foi uma das bandas mais inovadoras no sentido sonoro e ambiental. Passando o climax desde as terras imortais seguindo à Beleriand, Numenor, e em fim a Terra-Média". É preciso dizer algo mais? acredito que não, então vamos a sua fascinante história...




Silenius e Protector: as mentes criativas por trás do Summoning 


sexta-feira, 26 de abril de 2013

A Parábola do Eremita - Cantas ad Mortuos



De Fortaleza, Ceará. Um belíssimo trabalho de Black Doom Metal com grande influência de Katatonia  e cantado em português...A Parábola do Eremita. Material em fita k7 com letras curtas mas de profunda reflexão, profunda como a atmosfera das suas canções, profunda como as águas do oceno.

Um salve a todo andarilho que mergulha em sua dor e vaga pelas dimensões de sua alma destruindo conceitos criados por outros que são como praga para sua existência. Um salve a todos os que conseguem levar as cinzas para a montanha e dela ascender como Fenix.

''Que as almas e os ventos derramem o odor de minha alma por toda a terra
 O deus dos homens agora cai como o Sol a mim se dobra e a curva da montanha, à sombra da
Floresta levanta-se a eternidade
E neste momento sob o lacrimejar dos anjos
Levanto-me das trevas e sou Deus.''

A banda esta com suas atividades paradas desde o lançamento de sua segunda demo "O Retorno" de 2006.

Se você busca uma banda de Black Doom Metal com um sentimento inspirado na melhor fase do Katatonia em Dance of December Souls você esta indo pelo caminho certo.

Line up:

Fabio Bass
Wiliano Daymon Drums (baterista também da horda conterrânea Hecate)
Rodrigo Valentin Guitars, Vocals
Daniel Vezerra Guitars, Vocals   

Para ouvir as músicas da banda acesse:  http://www.myspace.com/cantasadmortuos

 Obs: Este foi o último post de Deserto de Azazel antes de sair do blog, então resolvi apenas terminá-lo para postá-lo, seu conteúdo aqui não foi modificado, editado ou reduzido, apenas adicionado mais informações além de sua forma original para ficar mais completo, valeu Diego, obrigado por tudo e por toda sua ajuda e seu legado para este blog jamais será esquecido.

O RETORNO


Saudações guerreiros, antes de mais nada gostaria de agradecer a todos aqueles que nos apoiaram durante estes anos de existência do blog, a todos que apreciaram e de alguma forma contribuiram para a realização deste. Em especial gostaria de agradecer a Vectani Pignone pelo excelente post sobre a Les Legion Noire e é claro gostaria de agradecer a Diego Soares, conhecido como Deserto de Azazel, o criador e fundador do blog, que há pouco tempo saiu do blog por questões pessoais.

Reconheço que o blog está há muito tempo parado, e com a saída de seu criador, pensei até mesmo em por um fim no mesmo, mas ae vi que não podia acabar com esta idéia que teve um certo reconhecimento pelos antigos cultuadores da arte do Black Metal. Mas a intenção maior deste blog é trazer informações que muitas vezes estão poucos disponíveis a maioria das pessoas, pois estas informações em sua quase totalidade estão em inglês e este idioma, na maioria dos casos, é pouco acessível para a maioria das pessoas (por falta de interesse no mesmo ou pela dificuldade para a tradução do idioma).

A demora nestas postagens se dá por causa de minha falta de tempo (trabalho, família, entre outros...), e para cada postagem, analiso minuciosamente cada texto e o leio pelo menos umas 5 vezes antes de postá-lo; o trabalho de tradução é árduo, penoso e difícil, pois procuro sempre a melhor interpretação dos textos para proporcionar ao leitor uma leitura mais agradável e dinâmica.

Tentarei ter uma maior regularidade nas postagens e arriscarei (mas não prometo) pelo menos uma postagem por mês, para trazer mais informação aos verdadeiros apreciadores do estilo.
Bem, sem mais delongas, fico feliz em ter retornado e espero que apreciem os próximos posts daqui para frente e Força e Honra sempre verdadeiros guerreiros!!!





 

domingo, 8 de janeiro de 2012

Blasphemous- Gloria Satanas Inferni



Na zona da mata mineira surge Blasphemous, o vídeo mostra um ensaio em Bicas. A banda é formada por dois integrantes da cidade e mais um de São João Nepomuceno. Manifestando um tradicional Raw Black Metal Satânico cantado em português.


Gloria Satanas Inferni é um hino arrastado, uma marcha para a guerra que tem como característica marcante a simplicidade, porém muito bem executada no que se propôs a fazer em contrapartida a trabalhos muito complexados que se podem perceber certos vazios que colocam toda arte sob suspeita de compromisso e seriedade. Um simples passo de cada vez porém passos firmes e precisos.


"Urros rasgam o silêncio manifestando o humano em sua forma mais primitiva. Rebelião de instintos naturais que um dia tentaram burlar, mas o tempo obstruiu essa fantasiosa aberração e agora os vestígios de um império de mentiras é varrido pelo vento.Em caminhos obscuros hordas cantam hinos e invocam o kaos. A inquisição acabou, nossa liberdade não está mais a alcance das mãos daqueles que tentaram mudar o sentido do fogo.''



Segue o vídeo e a letra:









Gloria Satanas Inferni




Em busca de uma grande vitoria

Navegando em rios de sangue

Escalando Montanhas de corpos

Sempre em busca de Gloria



Gloria Satanas ... Diaboli Maestro

Gloria Satanas ... Diaboli Maestro



Nas Batalhas Infernais

Salve Satanas Inferno

Nas Batalhas Infernais




Druckegeister. Bateria.


Darzath Vargoth. Vocais e Guitarra.


Jormun Forgotten Honor. Baixo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ABIGOR



A banda de black metal austríaca Abigor, sempre teve, a meu ver, uma musicalidade peculiar dentro do estilo, riffs rápidos, bateria agressiva, envoltos de atmosferas sombrias, com teclados obscuros e a inclusão de vocais femininos em alguns momentos resultando num clima bem particular que apenas o Abigor consegue criar. Eu sempre gostei da banda, encontrando nela uma essência muito forte de negritude em seus acordes, passando por álbuns sinfônicos, outros crus, mostrando com isso uma versatilidade e criatividade da banda ao compor e que ultimamente tende a um som mais complexo e eletrônico.

A escolha de postar sobre esta banda deve-se ao fato que não havia sido analisado antes por mim, que apesar de musicalmente nos últimos álbuns eu não ter muita afinidade (me refiro aos álbuns realizados depois da volta da banda em 2006 – Fractual Possession e Time is Sulphur in the...) a banda liricamente ainda continua totalmente satânica e maldita, que, a meu ver, são elementos básicos para ser uma banda de black metal. Escolhi com isso duas músicas (Scars In The Landscape Of God – do álbum Nachthymnen (From the Twilight Kingdom) que é uma música do terceiro álbum da banda e a música Part I que, como o próprio nome sugere, é a primeira parte do álbum Time is the Sulphur in the Veins of the Saint.., o último álbum lançado pela banda em 2010.

Mas antes de uma análise destas músicas, é apropriado contar um pouco sobre a história da origem do nome Abigor, para esclarecer aos leitores sobre o surgimento deste nome que possui uma carga interessante de significado.

Abigor também conhecido como Eligor ou Eligos, foi um feiticeiro mítico e considerado como gênio infernal, Abigor é visto como o comandante dos exércitos de Satanás. Ele também é considerado um deus da honra e da glória, diz que na batalha do Juízo Final ele irá derrubar muitos anjos antes de cair diante do arcanjo Miguel.

É tido como detentor do todo o conhecimento da arte da guerra e de todas as guerras do passado, do presente e do futuro.

Abigor é um grande duque do inferno, que se mostra na forma de um grandioso cavaleiro, sustentando uma lança ou um cetro. Ele é um demônio de uma ordem superior e responde prontamente a questões referentes à guerra, ele tem o poder de adivinhar o futuro e informar aos líderes como fazer para que tenham maior respeito pelos seus soldados. Sessenta das legiões infernais estão perto do seu comando.

A história diz que Abigor voltará para a terra na forma de um jovem de beleza encantadora e única, não como ser possuído mas fazendo parte do corpo e da alma, ele será temido e odiado, amado e desprezado, terá o dom da escrita e da fala, um corpo e um poder de sedução, seus olhos na lua cheia serão como tochas acesas ao luar, saberá convencer melhor que qualquer um e será conhecido como "Lex" senhor da justiça.

Extraído da Wikipedia e do encarte do cd do Abigor Apocalypse.



TRADUÇÃO - Scars In The Landscape Of God
do albúm Nachthymnen (From the Twilight Kingdom) - Nachthymnen (Vindo do Reinado do Crepúsculo)


Scars In The Landscape Of God

I'm the one behind the shadows
Tyrant of damnation
Believer in war
I will build the bridge of hate
To walk on pagan ways
In the light of the moon
...Hate in my heart
I wander through fire
To the valley of the shadow
I summon my inner self to strengthen my final will
I will destroy the promised land of God
To set the mighty flame
Flame - thou of wisdom the greatest
And to rise the hidden words
The words of ancient knowledge
The scars in the wind
Guide my path to the dark
Into my cold frozen reality
...This is the dawn of the final war
The victory is written in my flesh
I laugh as my enemies fall
And the sun will retire
Into the darkness of the night
Forever

Cicatrizes Nas Paisagens De Deus

Eu sou aquela por trás das sombras
Tirana da danação
Acredito na guerra
Eu construirei a ponte do ódio
Para caminhar em caminhos pagãos
Na luz da lua
... ódio em meu coração
Eu vago através do fogo
Para o vale das sombras
Eu apelo ao meu interior para fortalecer minha última vontade
Eu destruirei a terra prometida de Deus
E consolidar a poderosa chama
Chama - Tu de grande sabedoria
Para erguer as palavras ocultas
As palavras de antiga sabedoria
As cicatrizes no vento
Guia meu caminho para o obscuro
Dentro da minha fria e congelada realidade
... essa é a origem da última guerra
A vitória está escrita em minha pele
Eu rio enquanto meus inimigos perdem
E o sol sumirá
Dentro da escuridão da noite
Para sempre.

TRADUÇÃO - Part I do álbum Time is the Sulphur in the Veins of the Saint... -
O Tempo é o Enxofre nas Veias do Sagrado...


Part I

Thesis:

The devil, great consumer of mortality, appears as the destroyer of cause and effect, and of God's linearity. Hence man can be merged in His infinity.
monument, o mighty monument of time!
we're marching through the ongoing passage of time
life eating... collapsing... drowning...
pointed but without origin
continuum... sequence... pendulum...
we provoke spiritual leadership
we step out of this miserable race
we become one with His principle
we are one
we invoke the magnificent purity
we invoke the almighty black flame
we become one with His principle
we are one - we are none
locked and trapped inside thy self
thou shalt never be free
dissecting process marches on
without limitation
a solemn decay procession
cycles structuring around thee
like a maelstrom

Ecclesiastes 3:1-8:

a time to kill and a time to heal
a time to tear down and a time to build up
a time to weep and a time to laugh
a time to mourn and a time to dance
a time to throw stones and a time to gather stones
a time to embrace and a time to shun embracing
a time to search and a time to give up as lost
a time to keep and a time to throw away
a time to tear apart and a time to sew together
a time to be silent...
and a time to speak

PERPETUA SERVITUS

thou seem to be separated in entities
consumed and erased you creep and crawl
a sequence of extermination
constellations evolve out of prima materia
periodically transforming and enduring
focusing on metamorphosis
where shall all this lead to?
Grand Master Satan lead us through!
time - father - reaper
life eater
Time is Satan's way of keeping everything from happening at once.
(Albert Einstein)
perpetual cycle devoid of all logic
so cold and bare of all reason
when nothingness becomes even more desperate
a moving mausoleum of eternal death
a delicate cut through the heart of goodness
tyrants of an alternate faith rise in clarity

SATURN ESCHATON

we provoke spiritual leadership
we step out of this miserable race
we become one with the fragmenting principle
we are one - we are none
bloody knives and utopias shall be hidden
yet there is a weapon that will never be found
we the shadow's priests - we are absence
the endless not-knot - the void's presence
directing the anxiety circus in eternity
monument, o great monument of time
o you black colossus of presence

TABULA RASA

at the heart of it all...
I will no longer rise
nor will I fall
from towers shadowing the sky
all logic comes tumbling down
as one and one equals none
when Icarus' ways lead to Phoenix' grace
victory I praise
illuminated - resurrected - gloria victoria!
HALLELUJAH!
alleluia... alleluia...
come ye father and reap my soul
come ye, come ye father
unveil it all
now and forever we fall
we fall!

Parte I

Tese:

O diabo, grande consumidor da mortalidade, aparece como o destruidor da causa e do efeito, e da linearidade de Deus. Por isso o homem pode ser fundido em seu infinito
monumento, o monumento poderoso do tempo!
estamos marchando através da passagem contínua do tempo
comendo a vida... em colapso... afogamento...
apontou, mas sem origem
contínuo... seqüência... pêndulo...
que provoca a liderança espiritual
saímos dessa raça miserável
nós nos tornamos um com o seu princípio
nós somos um
nós invocamos a pureza magnífica
nós invocamos o todo-poderoso da chama negra
nós nos tornamos um com o seu princípio
nós somos um - nós somos nenhum
bloqueado e preso dentro de ti mesmo
tu nunca serás livre
dissecando manchas em processo
sem limitação
uma procissão de solene decadência
ciclos de estruturação em torno de ti
como um redemoinho

Eclesiastes 3:1-8:

um tempo para matar e um tempo para curar
um tempo de derrubar e um tempo de edificar
tempo de chorar e tempo para rir
tempo de prantear e tempo de dançar
um tempo para atirar pedras e um tempo de ajuntar pedras
tempo de abraçar e tempo de afastar abraçando
um tempo para pesquisa e um tempo para dar por perdido
tempo de guardar e tempo de jogar fora
um tempo para rasgar e tempo de costurar
um tempo para ficar em silêncio ...
e um tempo para falar

PERPETUA SERVITUS

tu parece ser separado em entidades
consumida e apagada você rasteja e rasteja
uma seqüência de extermínio
constelações evoluem fora da matéria prima
periodicamente transformando-se e estabilizando-se
enfocando metamorfose
onde tudo isso deve levar?
Grande Mestre Satan leva-nos completamente!
tempo - o pai – o ceifador
comedor da vida
Tempo é o caminho de Satanás para manter tudo que aconteça de uma vez.
(Albert Einstein)
ciclo perpétuo desprovido de toda a lógica
tão frio e vazio de toda razão
quando o nada se torna ainda mais desesperada
um mausoléu em movimento da morte eterna
um corte delicado através do coração de bondade
tiranos de um aumento de fé alternado em clareza

SATURN ESCHATON

nós provocamos a liderança espiritual
saímos dessa raça miserável
nos tornamos um só com o princípio da fragmentação
nós somos um - nós somos nenhum
facas sangrentas e utopias devem ser escondidas
ainda não há uma arma que nunca será encontrada
nós, sacerdotes da sombra - estamos ausentes
o infinito não-só - o vazio da presença
dirigindo o circo da ansiedade na eternidade
monumento, oh grande monumento do tempo
A que você colosso negro da presença

TABULA RASA

no coração de tudo isso ...
Eu não vou mais subir
nem vou cair
das torres de sombra do céu
toda a lógica desmorona
como um e um é igual a ninguém
Embora a graça de Icarus aos 'caminhos que levam ao Phoenix'
Eu louvo a vitória
iluminado - ressuscitado - gloria victoria!
Aleluia!
aleluia ... aleluia ...
vinde pai colher a minha alma
vinde, vinde pai
revelar tudo
agora e para sempre caímos
caímos!

Antigo Abigor:



Novo Abigor:



ALBUNS PARA DOWNLOAD:

Nachthymnen (From the Twilight Kingdom)



LINK: http://www.mediafire.com/?b2eluvzb0xmxhw6

Time is the Sulphur in the Veins of the Saint..



LINK: http://www.mediafire.com/?4nrgkek67jg3c7s

Até o próximo ano, Stay Dark.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

SABAOTH

O texto subsequente foi extraído do encarte do cd SABAOTH - SABAOTH, achei interessante este texto pelo fato de abordar de uma forma sucinta mas concisa, o início do estilo caracterizado hoje como Black Metal, com referências a grandes ícones do estilo e como o mesmo influenciou a cena paraguaia, assim como de toda cena sul-americana, mostrando assim o nascimento da banda SABAOTH, e sua importância em todo o Paraguai. Acredito que todos nós, saudosistas da velha escola, gostariam que o Black Metal se mantivesse como esta narrado no texto, com um ímpeto de espalhar o caos em forma de música e quebrar com os padrões musicais vigentes da época, o Death Metal. E não a vergonha que esta hoje, (com raríssimas exceções) este movimento muito mais preocupado em arrematar $$$ e fãs de cabeça vazia, do que disseminar o obscurantismo e a negritude de outrora. O Black Metal se vendeu para a mídia esquecendo o conceito pelo qual foi criado e inicialmente difundido. Como Akhenaten do Judas Iscariot mesmo afirmou: "O Black Metal está no ano da propaganda". E digo mais, não apenas no ano da propaganda e sim "Na era da propaganda".




No início dos anos 90, um imparável impulso por conhecer novas formas musicais que transcenderiam o horizonte artístico do Paraguai que a região oferecia, levou a um reduzido grupo de amigos a iniciar correspondência com pessoas de sua geração que viviam na Europa, e que se confrontavam com a emergente cena que mais tarde se denominaria BLACK METAL. Aquilo que começou com uma troca de cartas entre músicos de distintas latitudes, foi-se convertendo em um sistema de crescente intercâmbio de idéias, pensamentos e materiais (demos em formato cassete) graças ao reconhecido fenômeno underground chamado TAPE TRADERS. Eram tempos em que as bandas de Death/grind Metal dominavam o movimento mundial de música extrema. Deicide, Morbid Angel, Entombed, Morgoth, Obituary, Napalm Death, Carcass, Dismember, Immolation e bandas afins marcavam a tendência que adotariam os grupos em formação nesta época. Por fim, todos os relacionamentos com artistas que trabalhavam com sons novos, que exploravam recursos técnicos inovadores, e que exibiam com fúria propostas absolutamente inovadoras e alejadas daquele status quo vigente, encontravam verdadeiro alívio e emoção. Estes jovens suíços, suecos, gregos e especialmente provenientes da Noruega, estavam crescendo com bandas até então desconhecidas e de escassa trajetória para uma cena internacional com seguintes nomes (Emperor, Thou Shalt Suffer, Samael, Burzum, Rotting Christ, Mayhem, entre outras). Não distante disso, seus logos artísticos moldados em condições mínimas e viscerais, se tornariam algo de dimensões incomensuráveis.


E neste conceito nascia SABAOTH, união de três músicos que, espontaneamente e energicamente, inauguravam um estilo musical desconhecido e escondido para a cena nacional. Em 1992, o corpsepaint, a introdução do teclado em uma banda de metal extrema, as linhas melódicas inseridas na crueza de seus acordes, a voz rasgada, totalmente aleijada do tom gutural do death metal, eram elementos totalmente opostos aos componentes que davam corpo ao panorama musical do Paraguai e incluindo a América do Sul. Dentro deste culto que se espalhava em 1993. Logo, o crepúsculo do sul, e paralelamente a isso ardiam igrejas em Noruega e Suécia, onde se perseguiam e prendiam músicos acusados de assassinato, possessão de armas e profanações; se iniciam blitz no Paraguai em busca de seitas satânicas e eram fechadas lojas de discos, se profanavam cemitérios e templos; pequenos lugares no interior do centro de Assunção acolheram um trio chamado SABAOTH, e um número crescente de pessoas empenhadas em coroar e pedir canções como Offering Ritual e Martyrium.


É complicado, e quase impossível referir-se a um trabalho por mim mesmo. Em tal sentido, só me cabe dizer que SABAOTH – SABAOTH é um álbum que exibe um Lord Norrack potente e brilhante, e um exuberante e carismático Zerthineth, que concentra e revela um espírito de uma época, sua energia, seu efeito às vezes mágico, as vezes devastador; uma brutal ousadia que em todos vão deixar marcas indeléveis.


Amigos, fãs, façam deste disco um material de Culto, como um dos pilares da discografia do metal paraguaio. No que diz a meu ver, me encantaria mantê-lo vivo e vigente, relembrá-lo neste labirinto de recordações chamado SABAOTH.



SABAOTH ANTES:



SABAOTH DEPOIS:



TEXTO ESCRITO POR ZETHYAZ.
TRADUZIDO, EDITADO E POSTADO POR ALVER 1349.

ALBUNS PARA DOWNLOAD:

SABAOTH - SABAOTH (1995): http://www.mediafire.com/?2dmoeywzgyk





SABAOTH - WINDJOURNEY (1999): http://www.megaupload.com/?d=2F4B5LOS




SABAOTH - LES ILLUMINATIONS (2008): http://www.megaupload.com/?d=FLW9SZK9